terça-feira, 20 de abril de 2010

O TEMPO SÓ TEM MEMÓRIA!

Ao caminhar pelas estradas da vida, um senhor de seus 70 anos de idade, se depara estranhamente com o tempo fazendo breves reflexões:

- “Você realmente torna as coisas fáceis e claras. Muitos se prendem em tantos dilemas emocionais por sua causa. Esperando na sua prece, condutas consistentes. Não observando de fato suas perguntas, por plena satisfação da espera eterna das suas respostas. Ah tempo, porque você é assim, uma passagem tão plena e rápida pelas entranhas da vida, deixando nas marcas da minha história e tantos outros seres humanos, somente a realidade verdadeira no espelho?”

Nesse seu momento de intimidade com a sua própria vida, sentou-se num banco da praça, passando á observar com atenção cada movimento composto pelo “Agora”.

Crianças correndo e gritando com plena liberdade, sem esse medo estranho de explorar psiquicamente a imaginação para se encontrarem com o próprio mundo. Passarinhos pousando nas árvores, para depois novamente decolarem com a mesma alegria para um céu de tantas mudanças. O vento aspergindo deliciosamente em sua pele, lhe trazendo em alguns instantes a poesia de ser igual á todos, sem diferenças de idade. Por estar se desfrutando de direitos iguais; “o sentir do espetáculo da natureza”.

Após esse pequeno intervalo de devaneio, ele volta á caminhar pela praça á passos lentos, procurando com cuidadosa sensibilidade, visitar com o seu coração detalhes nunca vistos antes no passado. Avistando com olhares sem nenhuma resistência emocional, as mudanças marcadas pela própria jornada diária. Conhecendo magicamente o quanto o cimento, ferro e alumínio e outras precariedades do mundo, conseguem determinar interferências sociais em cada emoção incomum. Encontrando em cada expressão facial dos caminhantes adultos da praça, respostas não editadas pelo tempo, e sim, pensamentos “Blindados” pelos valores cotidianos.

Com essa pesquisa emocional o senhor idoso para perto de uma rosa cheia de vida. E com cuidado começa a acaricia-la, levando a ponta do nariz na sua insubstituível forma, criada pela ventre lindo da natureza, situando os seguintes pensamentos:

- “Grandioso e breve tempo; porque uma beleza dessas tem uma delicadeza tão forte, a ponto de serem danificadas pelas mazelas humanas, e mesmo assim continuam com a sua magia estática, ressuscitando da própria raiz? Fico a pensar nesse dilema, porque com todos os recursos inimagináveis oferecidos pelo nosso mundo, não conseguimos traduzir com tanta simplicidade e elegância, um colher profundo e desenvolto de virtudes”.

Logo após a reflexão, as lágrimas vão escorrendo feito orvalhos nas janelas de uma alma profundamente pura pelo aprendizado fascinante, revelando nas formas límpidas e puras da própria natureza, uma maquiagem cotidiana ilusória, sufocante de um tempo introduzido pelas regras sem auto-conhecimento. Sem perspectivas de um futuro, por se limitar num olhar aprisionado pelo próprio medo da igualdade.

Assim, depois de um breve diálogo com o tempo, o velhinho olha para uma casa em frente a praça, com suas estruturas defasadas. Paredes sujas e com suas cores descascadas. E com profunda humildade tem um sentimento inesperado:

- “O perdão é como um projeto de arquitetura. Só se consegue a paz e a felicidade novamente, quando a estrutura desestabilizada por um ruido de frustração é totalmente destruída. Recolhendo dos escombros emocionais somente a sabedoria. E o restante do entulho jogado fora. Assim se consegue lindamente um terreno plano para erguer um novo coração recepcionando amigos e o amor!"Sem procurar entender de fato o tempo. Pois esse tempo, que envelhece e nos consome, só pode ser detido, amando sem preconceitos uns aos outros inesgotavelmente”.


"Amor de poeta"
Continua...

Nenhum comentário: